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	<title>Revista Heresia</title>
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		<title>&quot;SE EU FOSSE VOCÊ 2&quot; &#8211; RECORDE DE MEDIOCRIDADE</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Mar 2009 13:51:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Se eu fosse você 2]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>

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		<description><![CDATA[O filme &#8220;Se eu fosse você 2&#8243; baterá hoje o recorde de &#8220;2 filhos de Francisco&#8221;, tornando-se o filme brasileiro mais visto nos cinemas (1) &#8211; mais de 5 milhões e 300 mil espectadores. (notícia original aqui) É uma pena.É uma pena que estas porcarias caiam tanto no gosto popular. Não que o filme seja [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5308963336514655346" title="Se eu fosse você 2" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 299px; HEIGHT: 230px" src="http://1.bp.blogspot.com/_6dfzHZrDGjM/Sa06BsaHVHI/AAAAAAAABbs/DcFUb37K_HY/s400/se-eu-fosse-voce-2.jpg" border="0" />O filme &#8220;Se eu fosse você 2&#8243; baterá hoje o recorde de &#8220;2 filhos de Francisco&#8221;, tornando-se o filme brasileiro mais visto nos cinemas <span style="font-size:85%;">(1)</span> &#8211; mais de 5 milhões e 300 mil espectadores. <span style="font-size:78%;">(notícia original </span><a href="http://ilustradanocinema.folha.blog.uol.com.br/arch2009-03-01_2009-03-07.html#2009_03-02_20_04_59-11204329-26" target="_blank"><span style="font-size:78%;">aqui</span></a><span style="font-size:78%;">)</span></p>
<p>É uma pena.<br /><span id="fullpost"><br />É uma pena que estas porcarias caiam tanto no gosto popular. Não que o filme seja ruim. Mas também não é o melhor filme brasileiro de todos os tempos. E nem é preciso ter assistido a película para chegar a esta conclusão. Eu mesmo não vi. Nem pretendia ver. Agora, muito menos &#8211; não vou ajudar a incrementar um recorde de mediocridade.</p>
<p>&#8220;Mediocridade&#8221; se refere a algo que está no meio, na média. Piadinhas manjadas, atores manjadérrimos (Glória Pires e Tony Ramos!) etc. Nada que quebre paradigmas, que exponha realidades cruas, como &#8220;Cidade de Deus&#8221; ou &#8220;Tropa de Elite&#8221;.</p>
<p>O diretor Daniel Filho, que deve ter enchido o c* de dinheiro com o filme <span style="font-size:85%;">(2)</span>, se esquiva deste tipo de crítica dizendo que também faz &#8220;filmes-cabeça&#8221;. OK. Medíocre mesmo é a massa que só tem coragem de desembolsar 10 ou 15 reais para ver filmes como esse.</p>
<p>Pensar, que é bom&#8230; Nem pensar&#8230;</p>
<p>Os efeitos de um recorde como esse podem ser danosos para a produção cinematográfica brasileira. Dinheiro não é burro. Basta aguardar a leva de filmes tão sem-sal quanto. Sem falarmos nos famigerados &#8220;Se eu fosse você 3&#8243;, &#8220;4&#8243; etc&#8230;.</p>
<p>UPDATE/NOTAS:<br />(1) &#8220;Se eu fosse você 2&#8243; é o filme mais visto da chamada &#8220;retomada do cinema nacional&#8221;. Se considerarmos toda a história do cinema nacional, ainda há alguns à sua frente, como &#8220;Dona Flor e seus dois maridos&#8221;, de 1978. Felizmente.<br />(2) <a href="http://veja.abril.com.br/blog/radar-on-line/157875_comentario.shtml" target="_blank">Leio</a> que o filme já arrecadou, até 01/04/09, 49 milhões de reais &#8211; só perde para Titanic (outra obra-prima da mediocridade). PQP!</p>
<p><span style="font-size:78%;">Seção &#8220;Li e não entendi&#8230;&#8221;: o que significa </span><a href="http://dicionando.blogspot.com/2009/03/famigerado-significado_03.html"><span style="font-size:78%;">&#8220;famigerado&#8221;</span></a><span style="font-size:78%;">?</span><br /></span></p>
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		<title>MILF: MOTHER I&#8217;D LIKED TO FUCK</title>
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		<pubDate>Sun, 07 Dec 2008 06:29:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
		<category><![CDATA[sexo]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma nova perversão: a mulher normal MILF, uma definição MILF significa &#8220;Mother I’d like to fuck&#8221;, isto é, &#8220;Mãe que eu gostaria de ter comido&#8221; (ou transado, ou &#8220;fodido&#8221;), ou algo assim. Se você entrar em um site pornográfico qualquer, verá várias categorias: anal, negras, gordas etc. E, possivelmente, verá lá também uma sigla: &#8220;MILF&#8221;. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div align="justify"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5276931956946479298" title="MILF: Mother I'd Liked to Fuck" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 204px; HEIGHT: 240px" src="http://1.bp.blogspot.com/_6dfzHZrDGjM/STttqA2zqMI/AAAAAAAABRA/6EaBGw8j334/s400/milf-mother-i%27d-liked-to-fuck.jpg" border="0" /><br />
<h4>Uma nova perversão: a mulher normal</h4>
<p>
<h5>MILF, uma definição</h5>
<div style="TEXT-INDENT: 40px">MILF significa &#8220;Mother I’d like to fuck&#8221;, isto é, &#8220;Mãe que eu gostaria de ter comido&#8221; (ou transado, ou &#8220;fodido&#8221;), ou algo assim.</div>
<div style="TEXT-INDENT: 40px">Se você entrar em um site pornográfico qualquer, verá várias categorias: anal, negras, gordas etc. E, possivelmente, verá lá também uma sigla: &#8220;MILF&#8221;.</div>
<p><span id="fullpost">
<div style="TEXT-INDENT: 40px">Se você clicar em <a href="http://www.themilf.net/" target="_blank">&#8220;MILF&#8221;</a>, será, provavelmente, levado a uma página com várias fotos, onde, escolhendo-se uma e clicando-se sobre ela, você verá uma galeria com várias fotos desta mulher, em poses eróticas, sexuais, ou pornográficas.(Ou será levado a outro site, de nome sugestivo como <a href="http://www.mature-for-you.com/st/niches/milf.php" target="_blank">&#8220;Madura para você&#8221;</a>, <a href="http://www.momstaboo.com/" target="_blank">&#8220;O tabu da mamãe&#8221;</a>, <a href="http://www.onlymoms.net/" target="_blank">&#8220;Só mamães&#8221;</a> etc.)</div>
<div style="TEXT-INDENT: 40px">Estas mulheres nas páginas de MILF não necessariamente são mães. Significa, geralmente, que têm mais de 30 anos. Mas o ponto não é apenas a idade, pois não são belíssimas modelos balzaquianas. Algumas, pelo contrário, são até bem feias. Na prática, MILF significa mulheres &#8220;normais&#8221;, aquelas que você vê dezenas ao circular pelas ruas. Aquelas que, possivelmente, nunca ninguém perguntou a elas, a sério: &#8220;Você já pensou em ser modelo?&#8221;.</div>
<div style="TEXT-INDENT: 40px">Muitas dessas mulheres nas páginas de MILF são gordinhas. Algumas são obesas. Outras têm os peitos caídos. Celulites. Umas já passaram não dos 30, mas mesmo dos 40, dos 50&#8230; Muitas, certamente, são mães mesmo. Algumas podem ser avós. Enfim, mulheres comuns. Geralmente, sem photoshop.</div>
<div style="TEXT-INDENT: 40px">Os próprios ensaios fotográficos tentam realçar esse lado &#8220;caseiro&#8221; das MILF: pouca produção, às vezes ao lado de um fogão etc.</div>
<h5>De como o normal virou uma perversão</h5>
<div style="TEXT-INDENT: 40px">As páginas de MILF fazem-nos levantar uma hipótese: <strong><span style="color:#000000;">o normal virou uma perversão</span></strong>.</div>
<div style="TEXT-INDENT: 40px">Perversão é uma palavra que, como tantas outras, tem diversos sentidos. Pode significar o uso de um instinto para algo que foge de sua função (ex.: comer pedras). Pode significar a maldade (ex.: &#8220;Fulano é perverso, impiedoso&#8230;&#8221;). E, em termos sexuais, o &#8220;pervertido&#8221;, o &#8220;tarado&#8221;, é o que busca o bizarro.</div>
<div style="TEXT-INDENT: 40px">E bizarro é o que foge bastante do comum. O que é o &#8220;sexo bizarro&#8221;? Se procurarmos por isso nas páginas da internet, encontraremos: sexo com mulheres muito gordas, sexo com anões, sexo com animais etc.</div>
<div style="TEXT-INDENT: 40px">Existe, então, uma distinção entre o sexo comum, ou &#8220;normal&#8221;, e o bizarro. O sexo comum seria aquele que você pratica com uma pessoa comum. Desta forma, MILF seria o normal, o comum. Mas não, MILF virou uma categoria, quase uma bizarrice. Virou uma perversão.</div>
<div style="TEXT-INDENT: 40px">Por que é uma perversão, e não o &#8220;normal&#8221;? Porque, para as páginas de mulheres nuas, o normal é que exponham mulheres mais jovens, bonitas, magras, gostosas. O &#8220;normal&#8221;, para estas páginas, é consoante com o padrão estético atual. Se o padrão que é imposto ao desejo é querer esta mulher magra, &#8220;lipada&#8221;, &#8220;photoshopada&#8221; etc., as mulheres comuns, as anãs, as mastectomizadas, as sem um braço, as obesas, as que mantêm a buceta bem cabeluda, as velhas etc., todas as que fogem em algo do padrão podem ser categorizadas como desejos desviantes, inusitados, enfim, pervertidos.</div>
<h5>A vida real</h5>
<div style="TEXT-INDENT: 40px">Acontece que, na vida real, os homens transam é geralmente com as MILF, e não com as &#8220;top&#8221;. Então, por que, para esse homem comum, o MILF é uma perversão? Não, não é! O seu fetiche, o seu inalcançável, é mesmo a top, a capa da Playboy. Apesar destas top serem minoria, serem exceção à regra, desejá-las não é considerado perversão. Por quê? Porque é a elas que a cultura empurra o nosso desejo, quase nos obriga a querê-las mais do que a uma MILF. O homem comum transa com a mulher comum, a deseja, mas seu fetiche é a top, e esse desejo não é perversão porque é &#8220;o esperado&#8221; (pela cultura de massas).</div>
<div style="TEXT-INDENT: 40px"><strong><span style="color:#000000;">A perversão real é fugir do culturalmente esperado.</span></strong> Isto é, desejar uma MILF mais do que se deseja uma top. Ter a opção de entrar numa página de jovens gostosas e <em>preferir</em> entrar numa de trintonas gordinhas. Esse desejo que nada contra a corrente cultural é pervertido, é isso que os sites de sexo (e não apenas eles, obviamente) estão nos ditando, nos dizendo: &#8220;Hein, seu taradinho, querendo ver as coroas, hein!? Querendo ver as gordinhas, hein!?&#8221;. Este homem que prefere uma mulher comum virou um pervertido.</div>
<h5>Psicanálise da perversão</h5>
<div style="TEXT-INDENT: 40px">A cultura do desejo talvez seja uma possibilidade apenas humana. Difícil imaginarmos macacos que, em determinada época, resolvessem eleger a magreza como padrão estético. Ou um grupo de macacos que enaltecesse macacas &#8220;emo&#8221;.</div>
<div style="TEXT-INDENT: 40px">A cultura só pode ser percebida porque ela é passageira, ela é moda. Ou porque muda de região para região. Cultura é o que não é puramente biológico. Pavoas sempre vão gostar dos pavões mais vistosos, não existe uma &#8220;cultura do pavão magro&#8221;. O humano é diferente: já existiu o padrão renascentista da gordurinha ser o ápice da beleza. Hoje é o contrário.</div>
<div style="TEXT-INDENT: 40px">Talvez, em cada época, o fetiche seja sempre o que esteja mais difícil de ser encontrado, adquirido, possuído. Se é dito que a humanidade nunca esteve tão obesa, na época do Renascimento talvez as gordinhas fossem produto escasso, por isso fossem cultuadas. O humano quer o inalcançável, o mais difícil. &#8220;Se as mulheres a meu redor são MILF, quero a top.&#8221;</div>
<div style="TEXT-INDENT: 40px">No Renascimento, houvesse internet, talvez veríamos nas páginas principais (das mulheres que &#8220;temos&#8221; que desejar) muitas gordinhas, as &#8220;top model&#8221; da época. E nas páginas MILF, mulheres mais magras, aquelas comuns, que viviam em condições precárias e não tinham alimentos tão facilmente, daí serem magricelas.</div>
<div style="TEXT-INDENT: 40px">O pervertido, naquela época, seria desejar uma magra, preferir uma magra. O pervertido é aquele cujo desejo foge do desejo da massa. Como a massa sempre irá desejar o que não faz parte da massa (não tudo o que foge, mas um tipo específico, padronizado &#8211; no caso, hoje, as jovens magras e &#8220;siliconadas&#8221;), pervertido é também aquele que deseja o que está na massa.</div>
<div style="TEXT-INDENT: 40px">A cultura de massas fez o homem que deseja o normal ser considerado um pervertido. Ela inverte totalmente os valores, portanto. <strong><span style="color:#000000;">O que deveria ser considerado um desejo normal, passa a ser pervertido.</span></strong></div>
<h5>Um pervertido da Literatura, fronteiriço</h5>
<div style="TEXT-INDENT: 40px">O pervertido clássico é aquele homem que aparece nos contos do Marquês de Sade. Hoje já nem seria considerado tão pervertido, posto que várias de suas excentricidades sexuais passaram a ser culturalmente aceitas ou ae mesmo &#8220;recomendadas&#8221;, vide as revistas feminias.</div>
<div style="TEXT-INDENT: 40px">Mas escritor tcheco Milan Kundera tem um personagem que quase se enquadra nessa definição &#8220;distorcida&#8221; (sto é, &#8220;pervertida&#8221;) de &#8220;perversão&#8221;: a do homem que deseja a mulher comum. No seu livro &#8220;A insustentável leveza do ser&#8221;, Tomas não é fascinado pelas beldades, mas pela beleza quase excêntrica da mulher comum. Cada MILF é diferente de uma outra. Uma tem as estrias de tal maneira. Outra os peitos são um tanto mais tortos. Tomas deseja as MILF, mas não as iguala, pelo contrário, as singulariza. Distigüir uma da outra é buscar o &#8220;defeitinho&#8221; específico de cada mulher. Tomas talvez esteja na fronteira entre o pervertido clássico e o pervertido criado pela moda. Ele não quer a obesa mórbida. Mas também não quer uma MILF &#8220;padrão&#8221;, justamente porque, entre as MILF, não existe padrão. Por isso é que são MILF.</div>
<div style="TEXT-INDENT: 40px">Tanto é que, nos sites de MILF, muitas vezes as galerias de fotos estão hospedadas em sites especializados em outras &#8220;bizarrices&#8221;, como os de BBW &#8211; &#8220;Big Beautiful Womam&#8221;, isto é, mulheres gordas e bonitas. As MILF estão no centro e na fronteira. Fronteira além da qual existem as top e, no pólo oposto,as obesas mórbidas.</div>
<div style="TEXT-INDENT: 40px">Se a MILF for um pouco mais velha, cai <em>também</em> nos sites de &#8220;Oldies&#8221;. Se for um pouco mais gorda, &#8220;BBW&#8221;. Se for mais peluda, &#8220;hairy&#8221;. Se estiver grávida, &#8220;Pregnant&#8221;. Etc. Se ela não for nada de mais em nenhum aspecto, seria a MILF &#8220;padrão&#8221;, caso isso existisse &#8211; nem top, nem nada bizarra.</div>
<h5>O capitalismo não poupa ninguem</h5>
<div style="TEXT-INDENT: 40px">A fetichização da mulher comum, a comercialização dela, é fruto do capitalismo. Alguém pensou: &#8220;Por que não vendemos fotos de mulheres comuns?&#8221;. Não foi esse vendedor que inventou o desejo por MILFs &#8211; esses &#8220;pervertidos&#8221; sempre existiram. O que o vendedor faz resume-se a: (1) comercializar para os que já desejam e (2) criar novos mercados. Ele cria esses mercados automaticamente, quando começa a vender a MILF.</div>
<div style="TEXT-INDENT: 40px">O homem comum pode pensar: &#8220;Por que estão vendendo o que eu tenho de graça, aqui em casa?&#8221;. Curioso com o desejo alheio (já que ele mesmo deséja é as top), ele lança um olhar diferente sobre a esposa &#8211; e especialmente sobre as MILF do site, já que são aquelas que ele não têm. E conclui: &#8220;Eu também quero MILFs!&#8221;.</div>
<div style="TEXT-INDENT: 40px">Se o mercado aumenta, aumenta também o número de pessoas que querem lucrar em cima disso. Criam-se mais sites. Que precisam de modelos&#8230;</div>
<h5>&#8220;Você toparia fazer umas fotos sensuais para um site?&#8221;</h5>
<p><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5276968902537596418" title="MILF" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 183px; HEIGHT: 292px" src="http://1.bp.blogspot.com/_6dfzHZrDGjM/STuPQh6JTgI/AAAAAAAABRI/brpFYuNgFeM/s400/milf-mother-i%27d-liked-fuck.jpg" border="0" />
<div style="TEXT-INDENT: 40px">Certamente, muitas destas mulheres que aparecem em sites de MILF não eram modelos pornô quando eram jovens. Não são prostitutas que envelheceram. Eram, simplesmente, mulheres comuns.</div>
<div style="TEXT-INDENT: 40px">Assim, não estavam se oferecendo para o mercado do sexo &#8211; o mercado é que teve que ir atrás delas.</div>
<div style="TEXT-INDENT: 40px">Talvez colocando um anúncio no jornal. Ou, talvez, indo diretamente à caça. É interessante imaginar a abordagem. O encarregado de encontrar as MILF para os ensaios não deve chegar às senhoras perguntando diretamente: &#8220;Quer posar para um ensaio pornô?&#8221;. Deve usar um convencimento gradual: &#8220;Você é muito bonita, sabia?&#8221; Ela se assusta um pouco: &#8220;Eu?&#8221;. &#8220;É! Eu tenho um site, que expõe fotos de mulheres maduras e bonitas, você não toparia fazer umas fotos? Pagamos bem!&#8221;. Depois é que ela será convencida a ficar nua. Depois, a abrir as pernas. Depois, a enfiar coisas na buceta. Depois, a transar com desconhecidos(as). Etc.</div>
<div style="TEXT-INDENT: 40px">O dinheiro e o ego inflado não poupam ninguém. Nem as MILF.</div>
<p>[PS.: este texto gerou uma <a href="http://gedigi.net/merafalacia/2008/12/sobre-a-pornografia/" target="_blank">discussão no site Mera Falácia</a>]</p>
<p><span style="font-size:78%;">Crédito das imagens: <a href="http://www.mature-orgasm.com/galleries/mf/04/ec57d0.shtml" target="_blank">Mature Orgasm</a> e <a href="http://private.karupsow.com/ow/718d5db5e/index.html" target="_blank">Karups Older Women</a></span></div>
<p></span></p>
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		<title>MÚSICA DO COMERCIAL DA MINISSÉRIE &quot;CAPITU&quot;: &quot;ELEPHANT GUN&quot;, DA BANDA BEIRUT</title>
		<link>http://revistaheresia.com.br/?p=29</link>
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		<pubDate>Thu, 04 Dec 2008 19:16:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[Parece que a música aparece no comercial de &#8220;Capitu&#8221;, minissérie da Globo que irá ao ar em breve e é inspirada na obra &#8220;Dom Casmurro&#8221;, de Machado de Assis. Aparece no início desse vídeo de divulgação.A banda se chama Beirut e, a música, &#8220;Elephant Gun&#8221;, e o videoclipe é esse abaixo: Abaixo, a letra da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Parece que a música aparece no comercial de &#8220;Capitu&#8221;, minissérie da Globo que irá ao ar em breve e é inspirada na obra &#8220;Dom Casmurro&#8221;, de Machado de Assis. Aparece no início desse <a href="http://video.globo.com/Videos/Player/0,,GIM917645-7759-ASSISTA+A+CENAS+DE+CAPITU,00.html" target="_blank">vídeo de divulgação</a>.<br />A banda se chama Beirut e, a música, &#8220;Elephant Gun&#8221;, e o <u>videoclipe</u> é esse abaixo:<br /><span id="fullpost"><br /><object height="364" width="445"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/gsfAmkKRcFU&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;color1=0x234900&amp;color2=0x4e9e00&amp;border=1"><param name="allowFullScreen" value="true"><param name="allowscriptaccess" value="always"><embed src="http://www.youtube.com/v/gsfAmkKRcFU&#038;hl=pt-br&#038;fs=1&#038;color1=0x234900&#038;color2=0x4e9e00&#038;border=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="445" height="364"></embed></object></p>
<p>Abaixo, a <u>letra da música</u>:</p>
<p><strong><span style="color:#000000;">&#8220;Elephant Gun&#8221;, Beirut</span></strong></p>
<p><span style="color:#c0c0c0;">If I was young, I&#8217;d flee this town<br />I&#8217;d bury my dreams underground<br />As did I, we drink to die, we drink tonight</p>
<p>Far from home, elephant gun<br />Let&#8217;s take them down one by one<br />We&#8217;ll lay it down, it&#8217;s not been found, it&#8217;s not around</p>
<p>Let the seasons begin &#8211; it rolls right on<br />Let the seasons begin &#8211; take the big game down</p>
<p>Let the seasons begin &#8211; it rolls right on<br />Let the seasons begin &#8211; take the big game down</p>
<p>And it rips through the silence of our camp at night<br />And it rips through the night</p>
<p>And it rips through the silence of our camp at night<br />And it rips through the silence, all that is left is all that I hide</span></p>
<p><u>Sobre a banda</u>:</p>
<p><strong>Beirut</strong> é a banda criada pelo americano Zach Condon (isto é, &#8220;Zacarias Camisinha&#8221;) e faz uma música próxima de sons do leste europeu, usando o trompete e o ukulele (o &#8220;violãozinho&#8221; tocado no vídeo &#8211; como o próprio nome do instrumento diz, é muito utilizado na serenata irlandesa, em que geralmente se faz &#8220;bundalelê&#8221; para a namorada ou para o pai desta). Por conta de um problema no pulso, devido à masturbação excessiva na adolescência, Zach foi impedido de tocar guitarra, talvez para sorte nossa.<br />Já aos 15 anos, Zach gravou um disco, que assinou não com seu nome, mas como &#8220;The Real People&#8221;. Aos 16, deixou a escola e foi viajar pela Europa, onde teve contato com a música dos Bálcãs (em português, &#8220;Balcões&#8221;, isto é, países famosos por seus barzinhos, também chamados de <em>pubs</em>).<br />Em 2006, o Beirut lançou 2 álbuns inspirados pelos Bálcãs, e em 2007 saiu &#8220;The Flying Club Cup&#8221;.</p>
<p><span style="font-size:85%;">fonte: deturpado da <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Beirut" target="_blank">Wikipedia</a></span></p>
<p><span style="font-size:85%;">mais: <a href="http://dias-confusos.blogspot.com/2003/09/umas-mulheres.html">um ensaio sobre Capitu e Bentinho</a> // <a href="http://revistaheresia.blogspot.com/2003/10/sexo-literatura_04.html">sobre o filme &#8220;Dom&#8221;, também inspirado na obra de Machado de Assis</a> // <a href="http://psipensar.blogspot.com/2008/07/karadzic-servia-psiquiatra-maluco.html">sobre a Guerra nos Bálcãs</a> // <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Beirute" target="blank">a cidade Beirute, capital do Líbano</a> // <a href="http://www.beirutband.com/" target="_blank">site oficial da banda</a></span><br /></span></p>
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		<title>UM FILME MUITO RUIM, MAS TALVEZ PERFEITO</title>
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		<pubDate>Mon, 24 Nov 2008 00:48:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[cinema]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;O pântano&#8221; (&#8220;La ciénaga&#8221;, Argentina, 2001) Organizei recentemente uma Mostra do Cinema Argentino. Em minha casa, para mim mesmo. Compilei na internet uma liste de filmes deste país e fui atrás, em locadoras especializadas. Não achei todos, mas consegui cerca de 15. Achei quase todos bons, alguns muito bons e um ou outro fraquinho. O [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div align="justify"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5272026286043631538" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 124px; CURSOR: none; HEIGHT: 180px" title="O pântano, filme argentino" src="http://4.bp.blogspot.com/_6dfzHZrDGjM/SSn_-YonD7I/AAAAAAAABOA/dlmVPoOF54Q/s400/o-pantano-cinema-argentino.jpg" border="0" /><br />
<h4>&#8220;O pântano&#8221; (&#8220;La ciénaga&#8221;, Argentina, 2001)</h4>
<p>Organizei recentemente uma <a href="http://flanandonoconesul.blogspot.com/2008/10/cinema-argentino.html">Mostra do Cinema Argentino</a>. Em minha casa, para mim mesmo. Compilei na internet uma liste de filmes deste país e fui atrás, em locadoras especializadas. Não achei todos, mas consegui cerca de 15.</p>
<p>Achei quase todos bons, alguns muito bons e um ou outro fraquinho. O que mais gostei foi &#8220;Valentin&#8221;. Mas quero falar sobre o que menos gostei, &#8220;O pântano&#8221;, pois este me fez pensar mais do que o que mais gostei.<span id="fullpost"></p>
<p>A história de &#8220;O pântano&#8221;: uma grande família, em um sítio e em uma cidade pequena, em dias de calor. Pequenos conflitos, um casamento que se acaba etc. Mas quase nada acontece. Não há um clímax pelo qual se esperar. Até aí, nada de muito diferente dos outros filmes argentinos que vi. O que faz este ser ruim, então?</p>
<p>Personagens demais, talvez. Mas este ainda não seria exatamente o problema. A comédia romântica &#8220;Simplesmente amor&#8221;, por exemplo, acompanha várias histórias, mas não há esta sensação de um filme que vai do nada a lugar nenhum. Pode ser porque, mesmo que de forma breve, fornece-se uma vida prévia aos personagens, de forma com que podemos nos identificar (mesmo que antipatizando) com eles. Ou poderia ser porque o filme fecha todas as histórias, esperamos desfechos e eles acontecem. Mas este pensamento é errôneo, não é só porque o filme tem um &#8220;final&#8221; (ou finais, no caso) que vamos dizer que ele é interessante no meio do filme. Se &#8220;Simplesmente amor&#8221; tivesse acabado &#8220;antes do fim&#8221;, eu teria gostado dele até aquele momento. Se &#8220;O pântano&#8221; tivesse desfechos mais objetivos, eu não teria gostado mais dele.</p>
<p>[Eu poderia, para parecer culto, ter comparado com "Short cuts", de Robert Altman, outro filme de várias histórias fragmentadas. Mas acho este filme mais parecido com "O pântano", no sentido de ser sem-graça, do que com "Simplesmente amor". É "pobre" fazer uma crítica elogiando-se um filme comercial, uma comédia romântico. Mas, mais feio ainda, é fingir que gostou de algo "cult" só porque é cult.]</p>
<p>O problema de &#8220;O pântano&#8221; seria a história com falta de objetivo? Poderia ser. Mas, já disse anteriormente, há muitos filmes argentinos sobre o nada que são bons.<br />Talvez a mistura das duas coisas, isto sim seria uma justificativa mais consistente: personagens rasos e história oca.</p>
<p>Pois bem, eu não gostei de &#8220;O pântano&#8221;. Mas aí surge meu questionamento: isso significa dizer que o filme é ruim?</p>
<p>Não quero entrar aqui naquela questão sobre a autoridade do julgador: quem é que pode dizer se algo é bom ou ruim? &#8220;Gosto é gosto&#8221; etc. Suponhamos que a autoridade única fosse eu: eu poderia dizer se um filme é bom ou não.</p>
<p>Sendo assim, tenho dois vereditos. Um: não gostei de &#8220;O pântano&#8221;. Dois: não sei bem dizer se ele é ruim.</p>
<p>Porque, talvez, a intenção da diretora fosse essa mesmo: a de desagradar o espectador. A sensação que tive, durante o filme, foi a de ter alugado um quarto em uma casa cheia de desconhecidos. Aqueles draminhas não me interessam, mas são um zumbido constante no meu ouvido. Vontade de sair da casa, vontade de que o filme acabasse logo.</p>
<p>Mas será que não seria essa a vontade da criadora? Se foi, não temos um filme ruim, mas um filme perfeito, porque atingiu plenamente seus objetivos.</p>
<p>Assim como um grande poeta que decidisse, deliberadamente, escrever poemas bobinhos, infantilóides. Quem não conhecesse o autor e os lesse, acharia um lixo. Mas o autor não se importaria com isso, ele diria apenas &#8220;acordei com vontade de produzir lixo&#8221;.<br />O que o filme me fez perceber, então, é que uma obra de arte deveria ser sempre avaliada em dois níveis. Se ela é agradável ou não (&#8220;O pântano&#8221; me desagradou, como obviamente se percebe), e se ela é bem-sucedida ou não, nos seus objetivos. Não sei dizer isso sobre &#8220;O pântano&#8221;, pois não li nada sobre o filme – e nem estou a fim de ler, isso não mudará em nada minha vida. Mas, se a diretora quis que o filme agradasse, foi muito mal-sucedida. Já se quis que achássemos aquelas vidas vazias, desinteressantes, sem-graça, parabéns!</p>
<p>Desta forma, é possível que uma obra seja, ao mesmo tempo, horrível e perfeita. Picasso, por exemplo: me desagrada, em geral, mas reconheço que foi muito bem-sucedido no seu intuito, que era justamente este, causar estranhamento, questionamentos, um certo incômodo.</p>
<p>Surge então uma outra questão, mais difícil de ser respondida. Será que, sabendo a intenção do autor com antecedência, veríamos a obra com maior benevolência, a ponto de acharmos agradável algo que, sem a informação prévia, nos desagradaria? A sugestão afetaria tanto a apreciação?</p>
<p>Esta questão é complicada porque o teste exato não tem como ser feito. Se contarmos a alguém a intenção do filme e ele o assistir, terá uma impressão. Mas como sabermos a impressão que ele teria se o assistisse sem a informação prévia. O inverso é válido: assiste-se o filme sem a informação e se tem uma impressão. Dá-se a informação. O filme é revisto. Mas os olhos já estarão contaminados pela primeira audiência da obra.</p>
<p>Poderia ser feito um teste menos exato. Dois grupos distintos, um assiste sem a informação prévia e outro com. Mas os críticos de arte pouco interesse têm pela ciência pura, pela matemática. Estamos em um mato sem cachorro. (Ou em &#8220;um pântano&#8221;, mas esse trocadilho seria imperdoável.)</p>
<p><span style="font-size:85%;">mais: <a href="http://www.adorocinema.com/filmes/pantano/pantano.asp#Críticas" target="_blank">opiniões de outros espectadores sobre o filme</a> (uns amaram, outros odiaram)</span><br /></span></div>
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		<title>&quot;PIERRE MENARD, AUTOR DO &#8216;QUIXOTE&#8217;&quot;, CONTO DE JORGE LUIS BORGES &#8211; UMA ANÁLISE BREVE</title>
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		<pubDate>Fri, 14 Nov 2008 23:31:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[ATENÇÃO: este texto contém um resumo do conto. Para ler a obra original antes, clique aqui &#8220;Pierre Menard, autor do Quixote&#8221;, do argentino Jorge Luis Borges (1899 – 1986), é um conto bastante curto, porém muito denso. Não há, efetivamente, uma &#8220;história&#8221;. O autor dedica-se apenas a falar de um trabalho literário realizado por um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div><a href="http://conselheiroacacio.wordpress.com/2008/08/14/o-morto-jorge-luis-borges/" target="_blank"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5268366785495440850" style="float: left; margin: 0px 10px 10px 0px; width: 211px; cursor: hand; height: 302px;" title="Jorge Luis Borges, escritor argentino; fonte da imagem: clique aqui" src="http://4.bp.blogspot.com/_6dfzHZrDGjM/SRz_ravsHdI/AAAAAAAABNo/BcfgD8BQh_8/s400/jorge-luis-borges-literatura-argentina-contos.bmp" border="0" alt="" /></a>ATENÇÃO: este texto contém um resumo do conto. Para ler a obra original antes, <a href="http://www2.fcsh.unl.pt/borgesjorgeluis/textos_borgesjorgeluis/textos7.htm" target="_blank">clique aqui</a></p>
<p>&#8220;Pierre Menard, autor do Quixote&#8221;, do argentino Jorge Luis Borges (1899 – 1986), é um conto bastante curto, porém muito denso. Não há, efetivamente, uma &#8220;história&#8221;. O autor dedica-se apenas a falar de um trabalho literário realizado por um escritor francês (fictício) do início do século XX, justamente o Pierre Menard do título da narrativa. Menard resolveu reescrever o &#8220;Dom Quixote&#8221;, do espanhol Miguel de Cervantes (1547 &#8211; 1616). Não reescrever adaptando-o à época de Menard. Não reescrever ao estilo de Menard. O autor resolveu, &#8220;simplesmente&#8221;, escrever novamente o &#8220;Dom Quixote&#8221; sem alterar nenhuma palavra, nenhuma vírgula do original!<br />
Então Menard iria copiar o &#8220;Dom Quixote&#8221; e publicá-lo como se fosse de sua autoria? Também não. Ele não iria copiar. Ele iria escrevê-lo novamente. A diferença parece sutil, ou inexistente, mas é brutal, na opinião de Menard e na do narrador do conto, um amigo de Menard.<span id="fullpost"><br />
Menard iria forçar-se a escrever o &#8220;Dom Quixote&#8221;. Porque Menard, por livre vontade, não escreveria o &#8220;Dom Quixote&#8221; tal como foi escrito – Menard não era espanhol, não viveu naquela época etc. E é pelo fato de podermos ligar uma obra a fatos situacionais como estes (ser espanhol, ter vivido em tal época) é que Menard e o narrador conjecturam que o &#8220;Dom Quixote&#8221; é acidental, contingente, até mesmo desnecessário. E mais: talvez este pensamento possa ser estendido à maioria das obras da literatura.<br />
O &#8220;Dom Quixote&#8221; de Menard, quando pronto, seria em todo igual ao de Cervantes. Na disposição das palavras. Porém, defende o narrador, seria em tudo diferente. Porque não foi escrito por Cervantes, mas por Menard.<br />
Talvez no trecho mais significativo do conto, o narrador compara duas frases iguais, uma retirada do &#8220;Dom Quixote&#8221; de Cervantes e outra do de Menard. Para o narrador, a frase de Cervantes era boba, retórica. Já a de Menard era profunda, intensa, significativa. Porque foi escrita por Menard.<br />
Menard, para fazer o seu &#8220;Dom Quixote&#8221;, tinha uma dificuldade fenomenal, porque tinha que livrar-se de todas as outras opções de escrita para poder chegar àquela que era igual a de Cervantes. (E, por isso mesmo, o trabalho de Cervantes foi muito fácil, pois ele pôde seguir o caminho que bem quis, dentre tantos possíveis.) Menard teve que fazer inúmeros rascunhos até chegar ao &#8220;Dom Quixote&#8221; exato, conta-nos o narrador&#8230;<br />
No conto, algumas idéias sensacionais são lançadas, mas devido à sua estrutura extremamente sintética, não são minimamente desenvolvidas. Borges acende-nos a curiosidade pelo desdobramento destes lampejos e vai embora, deixa-nos com vários mistérios, várias pontas de um novelo que, quase fatalmente, o leitor pensante irá querer desfiar.<br />
A primeira destas fagulhas filosóficas é a que o narrador defende, mas que o leitor poderá questionar: para o narrador, um livro não é o mesmo, mesmo se completamente igual, se foi escrito por duas pessoas diferentes.<br />
Esta questão é uma armadilha, porque tendemos a defender um ponto-de-vista e, na prática, adotarmos o oposto. É fácil que digamos que, se os dois livros são iguais, o significado é o mesmo. Compramos um livro de um autor desconhecido, em uma livraria. Lemos, achamos isso e aquilo do livro, das idéias, da história. Por que acharíamos outra coisa se o mesmo livro houvesse sido escrito por um outro autor desconhecido?<br />
Por outro lado, é fácil percebermos como, na prática, damos um significado diferente ao lido (ou ouvido, ou mesmo visto) a depender de quem emite a sentença, por mais iguais que sejam as palavras lançadas. Poderíamos dar vários exemplos destas experiências cotidianas, mas daremos apenas um, e esperamos que o leitor trabalhe um pouco a sua imaginação buscando outros exemplos e consiga concordar com o argumento. Um belo exemplo é o ato de citar. &#8220;Borges disse que (&#8230;)&#8221;. Ou mesmo o indefinido &#8220;Alguém já disse que (&#8230;)&#8221;. Não estamos mais dizendo por nós mesmos, mesmo que tenhamos pensado de forma idêntica. Estamos evocando a figura de um outro para dizer o que, por nós mesmos, não podemos sustentar, porque não temos autoridade. Se eu disser que &#8220;censurar e louvar são operações sentimentais que nada têm a ver com a crítica&#8221;, será apenas uma opinião minha. Como não sou Borges, é uma opinião fraca. Mas se eu disser que &#8220;Borges, em &#8216;Pierre Menard, autor do Quixote&#8217;, através da voz do seu narrador disse que &#8216;censurar e louvar são operações sentimentais que nada têm a ver com a crítica&#8217;&#8221;, essa frase passa a ter um peso muito maior. Não é mais uma &#8220;opinião&#8221;. É quase um vaticínio. Borges disse! Mesmo o conteúdo da frase sendo radicalmente igual.<br />
Para usarmos os termos do suíço Ferdinand de Saussure (1857 – 1913), estudioso da lingüística, o significante (cadeia de sons) é o mesmo, mas o significado seria diferente, a depender do emissor. E do receptor, acrescentaríamos, pois a empolgação com que o narrador lê o &#8220;Dom Quixote&#8221; de Menard se deve, ao menos em parte, por ele ser amigo pessoal do autor.<br />
Uma outra questão que o conto pode levantar é em relação à qualidade do próprio autor, Borges. Se o &#8220;Dom Quixote&#8221; era contingente, desnecessário, porque era a via mais fácil de Cervantes (porque era ditado pela sua liberdade criativa) e, ao mesmo tempo, esta via mais fácil era estritamente presa ao fato de Cervantes ser Cervantes (isto é, espanhol, do século XVI etc.), o mesmo poderíamos dizer da obra de Borges: é contingente, desnecessária etc.<br />
É claro que Borges, ele mesmo, um homem apaixonado pela Literatura e devotado a ela, não achava &#8220;Dom Quixote&#8221; desnecessário. E, inteligência aguçadíssima, por certo pressupunha esta leitura do conto. Talvez mesmo a desejasse. <em>In extremis</em>, toda empreitada intelectual seria inútil. Como se diz no conto: a filosofia de hoje virará uma página na história da filosofia de amanhã. Menard não está errado. Tudo terá sido inútil, amanhã. Mas, nem por isso, Borges deixa de escrever. Porque é inútil para o futuro (servirá apenas para compor a História), mas é uma necessidade para o autor, hoje.<br />
Paradoxalmente, um texto que aponte a inutilidade de qualquer texto no futuro, tal texto (o conto de Borges) é útil quando escrito e será inútil no futuro e, assim, no futuro (agora), ele perderá seu valor e já não nos apontará mais a inutilidade mais de texto algum. Os outros textos voltam, desta maneira, a ser úteis? Sim. Mas aí então o conto de Borges também voltaria e, por conseqüência, daqui a mais algum tempo todos os textos perderiam novamente a validade, inclusive o de Borges, <em>ad infinitum</em>. O conto de Borges é como uma lei que assim fosse redigida e promulgada: &#8220;Em 5 anos, todas as leis perderão efeito, inclusive esta.&#8221; Um ciclo de destruição periódica de tudo, seguida de reconstituição imediata. Mais um dos paradoxos borgeanos&#8230;<br />
Uma terceira idéia que o texto lança: um homem deveria ser capaz de pensar todas as coisas. Inclusive as que discorda. (Borges consegue, ao falar &#8220;mal&#8221; de &#8220;Dom Quixote&#8221;, assim como Menard consegue, seja escrevendo o &#8220;seu&#8221; &#8220;Dom Quixote&#8221; ou em um outro trabalho, uma crítica que faz a seu &#8220;amigo&#8221; Pául Valery [este sim um "personagem" da vida real, poeta francês, que viveu de 1871 a 1945]). Como diz o narrador, Menard tinha um &#8220;hábito resignado ou heróico de propagar idéias que eram o rigoroso reverso das preferidas por ele&#8221;.<br />
Se fôssemos capazes de pensar todas as idéias possíveis, não precisaríamos escrever, registrar o que pensamos. Por isso, na visão do narrador, a escrita é um monumento ao nosso fracasso de não conseguirmos pensar nada além de nossas próprias idéias.<br />
Seria Menard uma espécie de louco? Ou um visionário? Ou estes dois adjetivos seriam sinônimos, no seu caso?<br />
Pinçamos apenas três das possíveis idéias intelectuais levantadas pelo conto. Outros que o analisaram levantaram outras. Um texto tão pequeno que possibilita tantas leituras, anos depois de escrito, por certo é um texto &#8220;enorme&#8221;. Não é a toa que muitos o consideram a obra-prima de Borges. O que, paradoxalmente, derruba a idéia nele contida, de que todo esforço intelectual é inútil. A última das ironias de Borges, esta trazida pelo tempo&#8230;</span></p>
<p><span style="font-size:85%;">mais: <a href="http://flanandonoconesul.blogspot.com/2008/10/jorge-luis-borges-literatura-argentina.html">mini-biografia de Jorge Luis Borges</a></span></div>
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		<title>ARTES: LINKS E REPORTAGENS INTERESSANTES</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Oct 2008 00:32:00 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[links]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p>Categoria: &#8220;Mamãe, quero aparecer!&#8221;</p>
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		<title>O QUE LEVAR PARA A ILHA DESERTA?</title>
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		<pubDate>Tue, 30 Sep 2008 17:08:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[música]]></category>

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		<description><![CDATA[E você, deixaria quais discos na ilha deserta? Sinceramente, não tenho uma resposta pronta. Lembrei-me agora de um episódio ocorrido comigo há vários anos. Conversava sobre música com uns amigos, na faculdade, e disse: &#8220;Eu ODEIO Djavan!&#8221;. Até que pensei um pouco e me lembrei: &#8220;Tem só uma música dele que eu gosto.&#8221; E logo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://blogdobenett.blog.uol.com.br/arch2008-09-21_2008-09-27.html#2008_09-22_14_59_48-128207675-0" TARGET="_BLANK"><img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_6dfzHZrDGjM/SOJcsKRTu7I/AAAAAAAABFw/8bsOl-cGVzU/s400/discos-na-ilha-deserta.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5251862029208370098" /></a></p>
<p>E você, deixaria quais discos na ilha deserta?</p>
<p>Sinceramente, não tenho uma resposta pronta. </p>
<p>Lembrei-me agora de um episódio ocorrido comigo há vários anos. Conversava sobre música com uns amigos, na faculdade, e disse: &#8220;Eu ODEIO Djavan!&#8221;. Até que pensei um pouco e me lembrei: &#8220;Tem só uma música dele que eu gosto.&#8221; E logo me lembrei de outra. E outra. Concluí: &#8220;Pensando bem, eu gosto do Djavan!&#8221;. Após a aula fui em uma loja e comprei um disco do Djavan&#8230;  Vai entender&#8230;</p>
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		<title>ALMA DE ARTISTA</title>
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		<pubDate>Thu, 18 Sep 2008 18:01:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[artes plásticas]]></category>

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		<description><![CDATA[Quadro pintado por Hugo Cháves, quando esteve na prisão, é vendido por 255 mil dólares. O quadro se chama &#8220;La Luna de Yare&#8221;, e a inscrição, em espanhol, diz: &#8220;O moinho dos deuses, mói lentamente!&#8221; (notícia completa aqui) O quadro não é tão feio, admitamos&#8230; Mas o que temos aqui é apenas mais uma prova [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5247424403289559666" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_6dfzHZrDGjM/SNKYsVfKUnI/AAAAAAAABB4/kWFRTPg12e4/s400/quadro-de-hugo-chavez.jpg" border="0" />
<div align="justify"><span style="FONT-WEIGHT: bold">Quadro pintado por Hugo Cháves, quando esteve na prisão, é vendido por 255 mil dólares.</span></p>
<p>O quadro se chama &#8220;La Luna de Yare&#8221;, e a inscrição, em espanhol, diz: &#8220;O moinho dos deuses, mói lentamente!&#8221;</p>
<p><span style="font-size:85%;">(notícia completa <a href="http://g1.globo.com/Noticias/PopArte/0,,MUL764381-7084,00-QUADRO+PINTADO+POR+HUGO+CHAVEZ+NA+PRISAO+E+VENDIDO+POR+US+MIL.html" target="_blank">aqui</a>)</span></p>
<p>O quadro não é tão feio, admitamos&#8230;</p>
<p>Mas o que temos aqui é apenas mais uma prova de que a tal da &#8220;alma nobre do artista&#8221; é apenas mais uma lorota.</p></div>
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		<title>A CHANCELER ESTÁ NUA&#8230;</title>
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		<pubDate>Thu, 11 Sep 2008 14:44:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[Obra de arte em parede de prefeitura alemã retrata políticos nus * &#8220;(&#8230;) vem gerando polêmica entre a comunidade.&#8221; * &#8220;pornografia&#8221; Polêmica para quem precisa&#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:none;" src="http://1.bp.blogspot.com/_6dfzHZrDGjM/SMkv-ng7o0I/AAAAAAAABAw/YSfGSO_meqg/s320/arte-nus.jpg" border="0" title="políticos alemãos nus"id="BLOGGER_PHOTO_ID_5244775993855157058" /><a href="http://diversao.uol.com.br/ultnot/bbc/2008/09/10/ult2242u1722.jhtm" target="_blank">Obra de arte em parede de prefeitura alemã retrata políticos nus</a></p>
<p>* &#8220;(&#8230;) vem gerando polêmica entre a comunidade.&#8221;</p>
<p>* &#8220;pornografia&#8221;</p>
<p>Polêmica para quem precisa&#8230;</p>
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		<title>SÍNDROME DE 3o MUNDO</title>
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		<pubDate>Fri, 15 Aug 2008 05:35:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Jade Barbosa]]></category>
		<category><![CDATA[Olimpíadas da China]]></category>
		<category><![CDATA[ginástica]]></category>

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		<description><![CDATA[Atualização (17/08): onde está escrito &#8220;Jade Barbosa&#8221;, leia-se também Diego Hypolito. &#8220;Lá vai Jade Barbosa para sua série no solo&#8230;&#8221;. E eu pensei: lá vai ela cair&#8230; Caiu. E eu pensei: agora vai chorar. Só choramingou, aparentemente&#8230; E ainda caiu mais uma vez, no salto. E já tinha caído alguns dias antes, em outra prova&#8230; [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://globoesporte.globo.com/Esportes/Pequim2008/Noticias/0,,MUL726663-16061,00-DIEGO+CAI+CHORA+E+PERDE+A+CHANCE+DE+CONQUISTAR+PRIMEIRA+MEDALHA+NA+GINASTIC.html" target="_blank"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5234615501589041602" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="imagem: Globo.com" src="http://3.bp.blogspot.com/_6dfzHZrDGjM/SKUXEIP30cI/AAAAAAAAAyI/3jUcOLcp1U8/s320/Jade_Barbosa_Olimp%C3%ADadas_da_China.jpg" border="0" /> </a><span style="font-size:85%;">Atualização (17/08): onde está escrito &#8220;Jade Barbosa&#8221;, leia-se <em>também</em> </span><a href="http://globoesporte.globo.com/Esportes/Pequim2008/Noticias/0,,MUL726667-16061,00.html" target="_blank"><span style="font-size:85%;">Diego Hypolito</span></a><span style="font-size:85%;">.</span></p>
<div align="justify">
<div style="TEXT-INDENT: 40px">&#8220;Lá vai Jade Barbosa para sua série no solo&#8230;&#8221;. E eu pensei: lá vai ela cair&#8230; Caiu. E eu pensei: agora vai chorar. Só choramingou, aparentemente&#8230; E ainda caiu mais uma vez, no salto. E já tinha caído alguns dias antes, em outra prova&#8230;</div>
<div style="TEXT-INDENT: 40px">Aí a comentarista da Globo passa a mão na cabeça dela, dizendo que ela fez bonito, que é motivo de orgulho e blá-blá-blá. <strong><span style="color:#000000;">O problema é esse.</span></strong></div>
<p><span id="fullpost">
<div style="TEXT-INDENT: 40px">Jade Barbosa tornou-se conhecida e &#8220;queridinha&#8221; no Pan do Rio, em 2007. Caiu, chorou, todo mundo se condoeu com aquela &#8220;menininha&#8221; lacrimejando &#8211; eu também. No dia seguinte ela voltou, fez tudo certo e alcançou a glória, todo mundo vibrou &#8211; eu também.</div>
<div style="TEXT-INDENT: 40px">Talvez tudo isso tenha marcado Jade Barbosa, deve ter marcado. E talvez ela agora fique com aquela síndrome de impotente sexual, que fica pensando o tempo inteiro &#8220;Não posso broxar, não posso broxar&#8230;&#8221;. Pensando apenas isso, se desconcentra da mulher à sua frente, e o que acontece? Broxa mesmo! Talvez Jade fique pensando &#8220;Só não posso é cair!&#8221;. E desconcentra-se, e cai.</div>
<div style="TEXT-INDENT: 40px">Cair, nesse esporte, é relativamente normal. <span style="color:#000000;"><strong>O problema é ficarmos passando a mão na cabeça, quando talvez fosse muito mais produtivo um &#8220;pedala-robinho&#8221;.</strong></span> Os teóricos da terapia cognitivo-comportamental podem dizer se tenho ou não razão. Se eu passo a mão na cabeça e digo &#8220;Ah, foi bonitinho&#8230; Você tem que se orgulhar do seu tombo&#8230;&#8221;, o que estou fazendo? Se não estou <em>reforçando</em> o comportamento, ao menos o endossando estou.</div>
<div style="TEXT-INDENT: 40px">Jade Barbosa &#8211; e não só ela, mas tantos outros atletas brasileiros &#8211; precisa de um &#8220;inimigo&#8221;. Uma comentarista que dissesse: &#8220;Mas que droga, Jade, vai cair e chorar de novo!?&#8221; (Sim, ela não escutaria isso na hora, mas depois ficaria sabendo.) Dizer isso não quer dizer que não se torce por ela. Eu torço por ela.</div>
<div style="TEXT-INDENT: 40px">Mas para os comentaristas brasileiros, tudo está bom&#8230; <a href="http://globoesporte.globo.com/Esportes/Pequim2008/Noticias/0,,MUL724606-16061,00-JADE+MELHORA+MAS+FICA+FORA+DO+PODIO+NO+INDIVIDUAL+GERAL+AMERICANA+LEVA+OURO.html" target="_blank">Jade terminou em décima</a>, a melhor colocação que o país já obteve em uma Olimpíada. Nossa, que ótimo, um dia a gente chega lá&#8230; No momento que escrevo este texto, o Brasil tem 4 medalhas de bronze (e só) e ocupa a 39a colocação na classificação geral. Tá bom demais, né, porque somos um país pobrezinho&#8230; Então qualquer coisa que vier é lucro&#8230;</div>
<div style="TEXT-INDENT: 40px">É claro que boa parte da culpa por este desempenho pífio (para um país que tem mais de 170 milhões de habitantes, atrás de vários países relativamente minúsculos), parte da culpa é da pobreza mesmo. E parte da culpa desta pobreza é dos des-governos que tivemos por séculos. Porém, parte da culpa dos des-governos é nossa, que lá colocamos e mantemos certos trastes. E parte da culpa desse fracasso olímpico é também deste povo que <em>aceita</em> esta condição de vítima, de mendigos-das-medalhas. Por fim, culpa também dos comentaristas que não podem falar que o desempenho brasileiro é desastroso, porque isso diminuiria a audiência.</div>
<div style="TEXT-INDENT: 40px">Isso tudo me fez lembrar um vídeo que ficou famoso na internet, quando Massa fez o que Rubinho não conseguiu em 12 anos &#8211; ganhar o GP do Brasil:<br /><object height="344" width="425"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/zs4qYiRbvkM&amp;hl=en&amp;fs=1&amp;color1=0x234900&amp;color2=0x4e9e00"><param name="allowFullScreen" value="true"><embed src="http://www.youtube.com/v/zs4qYiRbvkM&#038;hl=en&#038;fs=1&#038;color1=0x234900&#038;color2=0x4e9e00" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object></div>
<p>
<div style="TEXT-INDENT: 40px">Talvez seja estes &#8220;inimigos&#8221; que faltem aos atletas brasileiros. Alguém que possa tirá-los do sério e enraivecê-los, a ponto de pensarem: &#8220;Ah, é? Agora você vai ver quem vai cair!&#8221;.</div>
<div style="TEXT-INDENT: 40px">Levanta, Jade! E pára de chorar!</div>
<p><span style="font-size:85%;">PS.: confira o blog </span><a href="http://bronzebrasil2008.wordpress.com/" target="_blank"><span style="font-size:85%;">Bronze Brasil 2008</span></a></div>
<p></span></p>
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