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"SE EU FOSSE VOCÊ 2" – RECORDE DE MEDIOCRIDADE

O filme “Se eu fosse você 2″ baterá hoje o recorde de “2 filhos de Francisco”, tornando-se o filme brasileiro mais visto nos cinemas (1) – mais de 5 milhões e 300 mil espectadores. (notícia original aqui)

É uma pena.

É uma pena que estas porcarias caiam tanto no gosto popular. Não que o filme seja ruim. Mas também não é o melhor filme brasileiro de todos os tempos. E nem é preciso ter assistido a película para chegar a esta conclusão. Eu mesmo não vi. Nem pretendia ver. Agora, muito menos – não vou ajudar a incrementar um recorde de mediocridade.

“Mediocridade” se refere a algo que está no meio, na média. Piadinhas manjadas, atores manjadérrimos (Glória Pires e Tony Ramos!) etc. Nada que quebre paradigmas, que exponha realidades cruas, como “Cidade de Deus” ou “Tropa de Elite”.

O diretor Daniel Filho, que deve ter enchido o c* de dinheiro com o filme (2), se esquiva deste tipo de crítica dizendo que também faz “filmes-cabeça”. OK. Medíocre mesmo é a massa que só tem coragem de desembolsar 10 ou 15 reais para ver filmes como esse.

Pensar, que é bom… Nem pensar…

Os efeitos de um recorde como esse podem ser danosos para a produção cinematográfica brasileira. Dinheiro não é burro. Basta aguardar a leva de filmes tão sem-sal quanto. Sem falarmos nos famigerados “Se eu fosse você 3″, “4″ etc….

UPDATE/NOTAS:
(1) “Se eu fosse você 2″ é o filme mais visto da chamada “retomada do cinema nacional”. Se considerarmos toda a história do cinema nacional, ainda há alguns à sua frente, como “Dona Flor e seus dois maridos”, de 1978. Felizmente.
(2) Leio que o filme já arrecadou, até 01/04/09, 49 milhões de reais – só perde para Titanic (outra obra-prima da mediocridade). PQP!

Seção “Li e não entendi…”: o que significa “famigerado”?

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UM FILME MUITO RUIM, MAS TALVEZ PERFEITO


“O pântano” (“La ciénaga”, Argentina, 2001)

Organizei recentemente uma Mostra do Cinema Argentino. Em minha casa, para mim mesmo. Compilei na internet uma liste de filmes deste país e fui atrás, em locadoras especializadas. Não achei todos, mas consegui cerca de 15.

Achei quase todos bons, alguns muito bons e um ou outro fraquinho. O que mais gostei foi “Valentin”. Mas quero falar sobre o que menos gostei, “O pântano”, pois este me fez pensar mais do que o que mais gostei.

A história de “O pântano”: uma grande família, em um sítio e em uma cidade pequena, em dias de calor. Pequenos conflitos, um casamento que se acaba etc. Mas quase nada acontece. Não há um clímax pelo qual se esperar. Até aí, nada de muito diferente dos outros filmes argentinos que vi. O que faz este ser ruim, então?

Personagens demais, talvez. Mas este ainda não seria exatamente o problema. A comédia romântica “Simplesmente amor”, por exemplo, acompanha várias histórias, mas não há esta sensação de um filme que vai do nada a lugar nenhum. Pode ser porque, mesmo que de forma breve, fornece-se uma vida prévia aos personagens, de forma com que podemos nos identificar (mesmo que antipatizando) com eles. Ou poderia ser porque o filme fecha todas as histórias, esperamos desfechos e eles acontecem. Mas este pensamento é errôneo, não é só porque o filme tem um “final” (ou finais, no caso) que vamos dizer que ele é interessante no meio do filme. Se “Simplesmente amor” tivesse acabado “antes do fim”, eu teria gostado dele até aquele momento. Se “O pântano” tivesse desfechos mais objetivos, eu não teria gostado mais dele.

[Eu poderia, para parecer culto, ter comparado com "Short cuts", de Robert Altman, outro filme de várias histórias fragmentadas. Mas acho este filme mais parecido com "O pântano", no sentido de ser sem-graça, do que com "Simplesmente amor". É "pobre" fazer uma crítica elogiando-se um filme comercial, uma comédia romântico. Mas, mais feio ainda, é fingir que gostou de algo "cult" só porque é cult.]

O problema de “O pântano” seria a história com falta de objetivo? Poderia ser. Mas, já disse anteriormente, há muitos filmes argentinos sobre o nada que são bons.
Talvez a mistura das duas coisas, isto sim seria uma justificativa mais consistente: personagens rasos e história oca.

Pois bem, eu não gostei de “O pântano”. Mas aí surge meu questionamento: isso significa dizer que o filme é ruim?

Não quero entrar aqui naquela questão sobre a autoridade do julgador: quem é que pode dizer se algo é bom ou ruim? “Gosto é gosto” etc. Suponhamos que a autoridade única fosse eu: eu poderia dizer se um filme é bom ou não.

Sendo assim, tenho dois vereditos. Um: não gostei de “O pântano”. Dois: não sei bem dizer se ele é ruim.

Porque, talvez, a intenção da diretora fosse essa mesmo: a de desagradar o espectador. A sensação que tive, durante o filme, foi a de ter alugado um quarto em uma casa cheia de desconhecidos. Aqueles draminhas não me interessam, mas são um zumbido constante no meu ouvido. Vontade de sair da casa, vontade de que o filme acabasse logo.

Mas será que não seria essa a vontade da criadora? Se foi, não temos um filme ruim, mas um filme perfeito, porque atingiu plenamente seus objetivos.

Assim como um grande poeta que decidisse, deliberadamente, escrever poemas bobinhos, infantilóides. Quem não conhecesse o autor e os lesse, acharia um lixo. Mas o autor não se importaria com isso, ele diria apenas “acordei com vontade de produzir lixo”.
O que o filme me fez perceber, então, é que uma obra de arte deveria ser sempre avaliada em dois níveis. Se ela é agradável ou não (“O pântano” me desagradou, como obviamente se percebe), e se ela é bem-sucedida ou não, nos seus objetivos. Não sei dizer isso sobre “O pântano”, pois não li nada sobre o filme – e nem estou a fim de ler, isso não mudará em nada minha vida. Mas, se a diretora quis que o filme agradasse, foi muito mal-sucedida. Já se quis que achássemos aquelas vidas vazias, desinteressantes, sem-graça, parabéns!

Desta forma, é possível que uma obra seja, ao mesmo tempo, horrível e perfeita. Picasso, por exemplo: me desagrada, em geral, mas reconheço que foi muito bem-sucedido no seu intuito, que era justamente este, causar estranhamento, questionamentos, um certo incômodo.

Surge então uma outra questão, mais difícil de ser respondida. Será que, sabendo a intenção do autor com antecedência, veríamos a obra com maior benevolência, a ponto de acharmos agradável algo que, sem a informação prévia, nos desagradaria? A sugestão afetaria tanto a apreciação?

Esta questão é complicada porque o teste exato não tem como ser feito. Se contarmos a alguém a intenção do filme e ele o assistir, terá uma impressão. Mas como sabermos a impressão que ele teria se o assistisse sem a informação prévia. O inverso é válido: assiste-se o filme sem a informação e se tem uma impressão. Dá-se a informação. O filme é revisto. Mas os olhos já estarão contaminados pela primeira audiência da obra.

Poderia ser feito um teste menos exato. Dois grupos distintos, um assiste sem a informação prévia e outro com. Mas os críticos de arte pouco interesse têm pela ciência pura, pela matemática. Estamos em um mato sem cachorro. (Ou em “um pântano”, mas esse trocadilho seria imperdoável.)

mais: opiniões de outros espectadores sobre o filme (uns amaram, outros odiaram)

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O FILME PORNÔ DE LEILA LOPES

O filme “Pecados e Tentações”, protagonizado pela atriz Leila Lopes (ver: cena completa do filme pornô de Leila Lopes) abre a possibilidade de uma série de questionamentos interessantes.

Ela afirma o tempo inteiro que se trata de um filme diferente dos demais pornôs. Após assistir, não há o que discutir: é pornô sim, 100% pornô. Não é porque disfarçou com cenários de época ou um pretenso enredo à la Nelson Rodrigues (como ela mesma afirmou – e o famoso autor deve estar se revirando no túmulo…), não é por esses disfarces que deixa de ser pornográfico.

Há boquete, há pau entrando na buceta, e tudo bem visível. Se isso não for pornô, não sei mais o que seria. Só não entendo a vergonha dela em admitir. Parece que, negando, talvez ainda resguarde o pudor. Que é pouco, muito pouco. No próximo, talvez faça anal ou grupal. Tudo depende do dinheiro em jogo, desde que tenha “enredo” e “cenário”. Porque aí é arte. Ela não se cansa de afirmar que é “atriz de verdade”. Era, e poderá voltar a ser. Porque enquanto fez o “Pecados e tentações” foi atriz pornô. Ou as atrizes dos outros pornôs não são atrizes? São sim, péssimas, mas são. Ou alguém acredita que aqueles “Oh, yes! Fuck me, baby!” são verdadeiros?

Leila Lopes deve ter seus motivos pessoais para não querer ser vista como atriz pornô. Mas não adianta, Leila, se todo mundo diz que é pornô, é porque é mesmo.

Leila Lopes ja havia ultrapassado, há mais de uma década, o limiar da nudez paga (ver: Playboy com Leila Lopes). Algumas artistas (poucas) nunca se dispuseram a isso, nem por muito dinheiro – dizem que Ivete Sangalo teria recusado 3 milhões de reais (!) à proposta da Playboy, já Letícia Spiller afirmou que “as mulheres brasileiras se vendem por muito pouco” (ver: as que dizeram “não” à Playboy, e os motivos alegados).

Particularmente, não tenho nada contra a nudez feminina, nem contra a pornografia – pelo contrário. Só não entendo a quem estas mulheres acham que enganam (a si mesmas?) com esta história de “arte”. Homem nenhum que pegue uma Playboy vai importar-se com o cenário, com a luz da fotografia. Ele quer é ver o oco.

Que, por dinheiro, elas mostram. Isso tudo me lembra uma piada que ouvi há vários anos, mas tinha um fundo de verdade tão grande que nunca esqueci. Um homem pergunta a uma mulher: “Por um milhão de reais você me daria?”. Ela pensa um pouquinho e concorda. Ele diz: “Hummm… E por dez reais?”. Ela se enfurece: “Está pensando que eu sou o quê?!”. Ele finaliza: “O que você é nós já sabemos, só falta concordarmos no preço.”

Cada um faz o que quer de sua vida. Só que querem fazer tudo sem pagar pelas conseqüências. Quer o dinheiro, a fama, mas não quer o esculhacho. Assim (a vida) é fácil… Leila Lopes terá para sempre seu nome associado aos termos “vadia”, “putinha” etc. Isso não porque eu queira, mas simplesmente porque é assim que a sociedade classifica quem faz tal tipo de trabalho. Leila sabia disso antes de fazer o filme. Agora não dá pra reclamar.

Mas que a “sociedade”, o ser humano, é uma coisa estranha, isso é. Nascemos nus e inventamos a roupa. Que virou obrigação. E a nudez virou proibição e fetiche. Macacos não precisam transar escondidos. Mas inventamos quartos, potas e chaves e novas proibições e fetiches. O ser humano faz um jogo consigo mesmo. Inventamos as regras e nós mesmos as burlamos. O mesmo pai que reprovaria a filha se a flagrasse dando para um namoradinho é o mesmo que irá comprar o DVD pirata da Leila Lopes. Será que sem violação não teria tanta graça, e por isto as regras foram inventadas?

Só não fico com dó da luta da Leila Lopes para manter seu nome limpo porque foi uma escolha (bem-remunerada) da parte dela, se lambuzar toda. Agora vai ter que relaxar e gozar quando colocar seu nome no Google e vê-lo associada só à putaria. Sua carreira anterior foi pro espaço. Se bem que nunca foi grande coisa, Leila estava no ostracismo há muito tempo. Por um punhado de dinheiro, valeu a pena enterrar esta carreira.

Acho apenas que ela deveria assumir: é pornô sim. Dizer que, por ter formação de atriz, poderá ser uma atriz pornô melhor que as outras. Que seja a diva do pornô. Mas que pare de falso moralismo – isso não combina com um atriz pornô…

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