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MÚSICA DO COMERCIAL DA MINISSÉRIE "CAPITU": "ELEPHANT GUN", DA BANDA BEIRUT
Publicado por admin em Sem categoria às 4 de Dezembro de 2008
Parece que a música aparece no comercial de “Capitu”, minissérie da Globo que irá ao ar em breve e é inspirada na obra “Dom Casmurro”, de Machado de Assis. Aparece no início desse vídeo de divulgação.
A banda se chama Beirut e, a música, “Elephant Gun”, e o videoclipe é esse abaixo:
Abaixo, a letra da música:
“Elephant Gun”, Beirut
If I was young, I’d flee this town
I’d bury my dreams underground
As did I, we drink to die, we drink tonight
Far from home, elephant gun
Let’s take them down one by one
We’ll lay it down, it’s not been found, it’s not around
Let the seasons begin – it rolls right on
Let the seasons begin – take the big game down
Let the seasons begin – it rolls right on
Let the seasons begin – take the big game down
And it rips through the silence of our camp at night
And it rips through the night
And it rips through the silence of our camp at night
And it rips through the silence, all that is left is all that I hide
Sobre a banda:
Beirut é a banda criada pelo americano Zach Condon (isto é, “Zacarias Camisinha”) e faz uma música próxima de sons do leste europeu, usando o trompete e o ukulele (o “violãozinho” tocado no vídeo – como o próprio nome do instrumento diz, é muito utilizado na serenata irlandesa, em que geralmente se faz “bundalelê” para a namorada ou para o pai desta). Por conta de um problema no pulso, devido à masturbação excessiva na adolescência, Zach foi impedido de tocar guitarra, talvez para sorte nossa.
Já aos 15 anos, Zach gravou um disco, que assinou não com seu nome, mas como “The Real People”. Aos 16, deixou a escola e foi viajar pela Europa, onde teve contato com a música dos Bálcãs (em português, “Balcões”, isto é, países famosos por seus barzinhos, também chamados de pubs).
Em 2006, o Beirut lançou 2 álbuns inspirados pelos Bálcãs, e em 2007 saiu “The Flying Club Cup”.
fonte: deturpado da Wikipedia
mais: um ensaio sobre Capitu e Bentinho // sobre o filme “Dom”, também inspirado na obra de Machado de Assis // sobre a Guerra nos Bálcãs // a cidade Beirute, capital do Líbano // site oficial da banda
A CHANCELER ESTÁ NUA…
Publicado por admin em Sem categoria às 11 de Setembro de 2008
Obra de arte em parede de prefeitura alemã retrata políticos nus
* “(…) vem gerando polêmica entre a comunidade.”
* “pornografia”
Polêmica para quem precisa…
SOBRE O SITE
Publicado por admin em Sem categoria às 1 de Julho de 2008
Neste site, irei comentar basicamente sobre três assuntos: música, filmes e livros. Talvez alguma outra coisa, mas sempre relacionada à arte.
NÃO espere encontrar aqui críticas sobre coisas recentes: raramente vou ao cinema, raramente compro livros que estão na lista dos mais vendidos, e sou o último a saber das novidades musicais. Vou no meu ritmo.
Por outro lado, também não quero fazer análises simplesmente do tipo “gostei/não gostei”. Vamos tentar nos aprofundar um pouco mais…
Eu tinha outro site com o mesmo nome, no Blogger brasileiro, mas os textos lá eram poucos – fui negligente em atualizá-lo. Trarei todos para cá e fecharei o endereço. Pretendo atualizar este aqui ao menos semanalmente.
Espero que a leitura seja agradável e que você retorne.
Estes são os outros sites onde escrevo:
E caso queira saber um pouquinho mais sobre mim, clique aqui na “biografia”.
CINEMA + RELACIONAMENTOS
Publicado por admin em Sem categoria às 19 de Novembro de 2005
(sobre: Tentação, direção: John Curran)
O QUE É SER SAUDÁVEL, NO AMOR?
Os conceitos de saúde mental envolvem a noção de: ser comum, não estar sofrendo, não causar sofrimento.
Uma pessoa que, no jogo do amor, não sofra, é normal? Bem, ao menos um critério de normalidade está satisfeito. Outro, ser comum, ser como a maioria das pessoas, é discutível. Primeiro porque não temos dados correntes sobre a questão: a maioria das pessoas sofre por amor ou não? Talvez, até certa idade. A “maturidade”, um relacionamento estável, podem minar o problema. Em segundo lugar, o fato de ser fora da média realmente torna a pessoa doentia ou apenas incomum?
O terceiro critério de normalidade, não causar sofrimento, é que pode pesar neste caso.
No filme “We dont live here anymore” (traduzido, no Brasil, como “Tentação”), baseado em contos de André Dubus, temos uma boa oportunidade de estudo sobre como uma pessoa “fria” pode causar sofrimento.
Hank (Peter Krause), é casado com Edith (Naomi Watts). Eles são amigos do casal Jack (Mark Ruffalo) e Terry (Laura Dern). Edith e Jack começam a ter um caso, aparentemente por ação dela. O casamento de Jack fica instável, e Terry cede às investidas de Hank.
Tudo bem, se tudo assim tranqüilo fosse.
No decorrer do filme, vamos percebendo que, na verdade, Edith, que parecia uma “sacana”, trai por não se sentir feliz no casamento (dizem alguns, românticos, que esta é a razão de toda traição feminina). Por não se sentir feliz mas querer que fosse diferente, que Hank lhe desse atenção – ele é escritor e vive focado no seu trabalho. Talvez o casamento de Jack já não viesse bem, e ele se apaixona em Edith. Sua esposa sofre muito com a situação que adivinha, e por isto transa com Hank, mas nunca “na boa”, e sim tentando mobilizar Jack (até mesmo conta a ele, e mais se desespera em ver que ele não se importou, pelo contrário, se alegra, pois assim poderia aliviar sua consciência – além do estranho prazer de ser corno).
O momento de maior tensão, no filme, é quando Jack conta a Terry que realmente ama Edith. Terry procura Edith, que resolve falar de seu caso ao esposo.
Porém, este já sabia, e quando Jack chega na casa do amigo, este pergunta, com o mesmo ar impassível que sempre teve:
- Quer que eu te prepare um café?
Hank não se importava em dividir sua esposa (após oferecer o café ainda diz ao amigo: “Vou dedicar meu próximo livro a você. Uma mulher amada dá menos trabalho.”), não tinha sentimentos de posse sobre ela, e por isto, não sofria. Hank é normal ou doente?
Não sofria, mas causou uma cadeia de sofrimentos: a esposa sofria, o amigo acabou por sofrer (envolvido com a amante, porém o coração dela era do esposo), a esposa do amigo também (com o abandono, com o violentar-se).
O transtorno de personalidade anti-social (vulgarmente, o “psicopata”), é definido, basicamente, pelo rastro de sofrimento que deixa, e pela ausência de remorsos que acompanhem o acometido. Hank é anti-social? Ele não agia movido por raiva – gostava, apesar de tudo, da sua esposa, gostava do amigo, gostava da esposa do amigo. Não queria perder a companhia da família, por isto não se separava. Porém, não podia dar à esposa o amor que ela queria. Quando esta começa seu caso, deve ter sido um alívio para ele. O problema mesmo começa quando o caso desagrega o outro casal.
Ele tinha culpa de não amá-la da maneira que ela desejava? Não, amor e desejo não nascem da nossa vontade ou determinação. Ele poderia prever o que ocorreria no outro casamento? Não, até mesmo porque, na sua visão, sexo e amor são coisas diferentes, e esperava que o amigo tivesse o mesmo ponto de vista.
Talvez Hank pudesse amar outra mulher, mais do que à sua. Mas, na pequena cidade em que viviam, isto não ocorreu. E ele conformou-se. Não era totalmente frio, mas também não era possessivo. Era alguém que aceitava a vida como era. Talvez por isto lhe faltasse inspiração para escrever seus livros…>
musica;sexo
Publicado por admin em Sem categoria às 14 de Julho de 2005
CORGAN E O CATUPIRY
Suponhamos que você goste muito de coxinha de frango. Suponhamos ainda que você goste ainda mais de catupiry (que, na prática, não se encontra mais, apenas catupiry genérico). Então você morde a coxinha e o catupiry aparece um pouquinho. Você come logo o catupiry ou deixa pro final?
As pessoas podem ser divididas em duas categorias. As que comem logo o melhor, e as que deixam pro final. Suas escolhas definem suas personalidades, e seria sem lógica dizermos que alguma das opções é a melhor, visto que, mesmo sofrendo, geralmente as pessoas gostam de suas personalidades.
Das vantagens de comer logo – se você deixa pro final, corre um risco de cair um avião na sua cabeça e você morrer sem ter comido.
Das vantagens de comer no final – talvez o melhor do desejo seja o próprio desejo, e não sua realização. Daí, quanto mais se adie, mais tempo se deseja.
Se eu fosse mulher, e groupie (aquelas que ficam seguindo bandas), eu queria transar com o Billy Corgan, do Smashing Pumpkings. Eu não transaria com um daqueles Ramones. Eu nunca transaria com um punk.
Por quê?
Porque o Corgan é inteligente, bonito (a meu ver) e, o melhor de tudo: suas músicas não têm refrão. Têm aquela parte mais legal, que geralmente vira refrão com outras bandas, mas a parte legal só acontece uma vez, e quase no final da música. Ou seja, ele é um cara que, na cama, iria devagar, envolvendo, e demoraria a chegar ao ápice, mas esta espera aumenta o desejo, e o ápice seria O ápice.
Já o punk: é feio, pouco criativo e, o pior de tudo: músicas de 3 minutos, refrão imediato. Ou seja: sexo banal, ejaculação precoce, sem nem olhar na sua cara.
Transar com o Corgan seria bem melhor. Claro, se antes do ápice um avião não caísse na nossa cabeça…
LITERATURA
Publicado por admin em Sem categoria às 16 de Outubro de 2004
(sobre: As pessoas dos livros, Fernanda Young)
O MAIS (FÁCIL) DIFÍCIL É DAR UM TÍTULO A UM TEXTO
Fernanda Young é uma escritora comentada, e é óbvio que parte disto se dá por sua figura: cabelos curtíssimos, tatuagens. Figuras interessantes geram, obviamente, interesse. Na capa de “As pessoas dos livros”, é ela quem aparece.
Na contra-capa, aparece de frente, e as letras invertidas. Como se o livro fosse transparente. E ela, natural e linda. “Todos dizem (acusam) que sou uma grande marketeira.” Louvável trabalho editorial.
Mas do livro não gostei.
As primeiras páginas li no embalo de quem começa a ler um livro para ver “qual é a dele”. Porém logo comecei a achar chata a personagem principal. Sabe aquele tipo de pessoa que tem uma vida relativamente tranqüila e resmunga o tempo todo? Neurótica? Pois é. Mais um livro que tive vontade de parar no meio da leitura. O álibi do livro é que a própria personagem diz isto a certa altura: “Estou chata.” (ou algo assim). Pode-se ser neurótico, mas ser neurótico e chato é um porre. Woody Allen é neurótico e engraçado!
Continuei por curiosidade: afinal, o que é que o tabuleiro da baiana tem? Há pessoas que falam bem dela (dos livros dela). E o título era promissor: “As pessoas dos livros”. Para mim, que escrevo, este título era quase uma ordem: “Leia-me”. A orelha do livro, mais ainda: “Quem é essa gente que escreve livros? E que lê livros, publica livros, que conversa sobre livros? Quem é essa gente que lê orelha de livros? Em que, ou quem, eles estão tão interessados? Quem é essa gente que aparece nos livros, você conhece? Um personagem existe? Vida real existe? para ter resposta a essas perguntas, você precisa conhecer As pessoas dos livros.”
Eu queria ler um livro que falasse sobre estas coisas. Mas este não fala. Fala, sim, mas muito pouco. Nada que justifique o título do livro, muito menos a orelha. A história é outra. Em um chat com a escritora, que encontro nos maravilhosos arquivos da internet, ela afirma: “Os títulos são quase sempre as primeiras idéias dos livros.” Imagino então a seguinte situação: a idéia ffoi uma, mas a história seguiu outro rumo. “Quando escrevi esse livro foi dessa mesma maneira, não tinha idéia do que ia acontecer”. A velha história de que um escritor não tem domínio sobre suas personagens quando começa a escrever. (O que não é bem o meu caso, eu geralmente tenho uma idéia e meu trabalho é colocá-la no papel. Eu escrevo primeiramente na cabeça. E neste espaço, sim, podemos dizer que não tenho controle sobre o que acontece. Não planejo o que quero imaginar – creio… porque a psicanálise diria exatamente o contrário: que minha “inspiração” é exatamente o que quero imaginar).
Às vezes escrevo histórias sem títulos. E depois tento sintetizar o assunto em um título legal. Porém às vezes surgem do nada uns títulos intrigantes, sem idéia alguma para o conteúdo. Tinha uma lista apenas com títulos (perdi, roubaram meu palm onde estavam). O último título que me apareceu foi “A paz e os abismos”. Depois é que me veio a idéia para o “livro” (que não escreverei, creio).
Títulos às vezes são problemáticos. Enganam. Prometem e não cumprem. Ou o contrário: são bobos, escondendo livros ótimos. Incomum é o caso de livros onde título e conteúdo estejam à mesma elevada altura. Exemplos? Promete e não cumpre: “Voragem” (ver post anterior). Título fraco e livro bom: “Trópico de câncer”, Henry Miller. Título e livro bons: “100 escovadas antes de ir para a cama”, Melissa Panarello.
O livro de Fernanda desanda. Não que seja ruim. Se tivesse outro título, talvez eu gostasse. Não gostei porque esperei uma coisa, e não encontrei. Sei que sou um leitor apenas, e várias interpretações podem ser feitas, e são válidas. Inclusive a da autora. Perguntaram a ela: “Por que você recomendarias às pessoas lerem “As pessoas dos livros”?”. Respondeu: “Porque falo sobre o ofício literário e as pessoas dos livros certamente vão gostar.”
Ela acha que o livro fala sobre o ofício literário. Eu não. Por isto, como uma “pessoa dos livros”, não gostei.
* * *
PS: já que falamos sobre títulos de livros, um comentário sobre dois livros: “A insustentável leveza do ser”, Milan Kundera, e “O apanhador no campo de centeio”, de J. D. Salinger. Dois bons títulos (aliás, o primeiro acho sensacional, também um convite, uma ordem), para dois livros muito bons.
Cada livro deste possui um personagem principal. Só que o título, apesar de ser bom, não se encaixa no personagem principal, em nenhum dos dois livros. No “Insustentável”, o personagem principal consegue sustentar a leveza de não ser nada, ou ser cada vez menos. Quem não consegue são outros personagens. No “Apanhador”, quem apanha (salva) crianças à beira de caírem num abismo também não é o personagem principal, mas sua irmãzinha.
Dois casos de um bom títulos para um bom livro, embora um pouco desfocados, descolados.
LITERATURA
Publicado por admin em Sem categoria às 30 de Julho de 2004
(idéias soltas sobre: Voragem, Junichiro Tanizaki)
Tenho o hábito não salutar de comprar mais livros que eu consigo ler, daí que é raro eu ler lançamentos, pois estes entram no fim da fila, a não ser que pareçam muito interessantes.
Leio agora Voragem, do japonês Junichiro Tanizaki (1886 – 1965). Atraído pelo título (“voragem” significa “aquilo que devora, subverte; abismo”, lembra “voraz”, lembra “coragem”) e por ter lido que era “a história sensual de uma mulher casada que se apaixona em outra”. Quando comprei, li a contra-capa: ela contva o final do livro (edição Planeta DeAgostini), como pode?!, e este foi também um dos motivos que eu deixasse o livro empoeirar, até que eu esquecesse o que tinha lido sobre o final.
Leio, então. O livro começa bem, em um ritmo ágil. O erotismo dá algumas amostras. Mas logo o trabalho perde o encanto. Vai ficando, aos poucos, horrível.
A contra-capa chama o de “uma das obras-primas” do autor – mas não podemos confiar na própria editora de um livro . Fui atrás de outras opiniões, na web, porque pareceu-me que já havia lido resenha positiva sobre ele.
Colho que este seria seu sétimo, entre 20 romances.
Tenho impressão que os resenhistas e eu não lemos o mesmo livro: todas as poucas críticas que achei são boas. Ou não lemos com o mesmo olhar, talvez eu seja mais crítico.
Se uma personagem é muito estranha, exagerada, até certo ponto não podemos culpar o autor por esta caracterização, porque se neste mundo há de tudo, porque não haveria alguém assim? Entretanto, as “forçadas” de enredo são mais difíceis de engolir. Concordo com o argumento de que um livro não conta as histórias banais. Devemos pensar que, se foi escrito, filmado, é justamente por ser uma história de exceção, mesmo que fictícia. Mas quando há um limite onde a trama deixa de ser verossímil, possivel, como é o caso deste livro, mudamos de categoria: do “realismo” (mesmo que inventado) para o “fantástico”.
São tantas as reviravoltas que a história fica absurda. O modo como as personagens se sujeitam às situações é inacreditável. Por qualquer coisa todos falam em se matar. Toda hora choram, e não é pouco: “Naquela noite, nós dois choramos até amanhecer.” Neuróticos, todos. Mas não parece ter sido a intenção de Junichiro fazer um “romance fantástico psicológico”. Nem um romance psiquiátrico!
O livro poderia ser lido como um policial, pois boa parte do volume são investigações feitas pela narradora. Mas são investigações sobre o nada, rasas, dúvidas que surgem em sua cabeça, sem que algum crime tenha ocorrido. Um policial sem crime? Creio que também não foi a intenção.
Lendo-o, lembrei-me do autor do Blog do romance, site maravilhoso onde “destrói”, (ou reconstrói?) todos os livros que lê, quando falava que na página 76 de Blecaute, de Marcelo Rubens Paiva, teve vontade absoluta de parar de ler. Comigo isto aconteceu, em Voragem, na página 164. O livro ia até a 240. Continuei por estar 1) sem sono; e 2) seduzido não mais pelas virtudes do livro, mas mais interessado em como um livro conseguia se autodestruir.
Há contradições significativas em algumas caracterizações. Exemplo: na mesma página lemos que “(…) o próprio Watanuki não tinha nenhum interese em apressar o casamento(…)” e “(…)ele sonhava casar-se e viver com uma mulher(…)”.
O livro é narrado pela protagonista a um sensei, o qual o leitor toma o lugar, pois este senhor nada diz e não interfere em nada. Então, por que existe?.
Não sei se o seguinte deslize foi da tradução, feita por uma sobrinha do autor, ou da edição: a história é contada pouco tempo depois dos fatos terem ocorrido, mas há um trecho que diz “era fato que, na época, os abortos eram severamente reprimidos”.
A parte que poderia ser boa, só ameaça. É onde se diz que o amor de uma mulher por uma mulher é diferente do amor de uma mulher por um homem. Mas o argumento é apenas uma desculpa da personagem para seu marido, e não é desenvolvido.
O título promete e não cumpre: a história é voraz (ligeira, caótica), mas não encontramos um aprofundamento narrativo interessante. Mesmo considerando que o livro veio à tona originalmente em 1928, ele não fala mesmo de um beijo entre as duas mulheres – que tipo de homossexualismo é este? Apenas o do desejo? Mas nem mesmo este é desenvolvido.
E o final é contado bem antes. Não falo agora da contra-capa, mas dentro do próprio livro mesmo!
Esta obra, parece-se muito com aqueles livros ruins feitos em papel jornal com histórias, apesar de rocambolescas, sem conteúdo algum. Mas publicado como se fosse um bom livro. O que causa um certo desconforto. O produto trash tem seu valor dentro de sua categoria, mas o trash que se passa por bom nos engana. Talvez seja mais trash ainda…
LITERATURA
Publicado por admin em Sem categoria às 20 de Julho de 2004
GUIAS DE LEITURA
(sobre: 100 autores que mudaram o mundo)
O título do livro, “100 autores que mudaram o mundo”, exposto, me deixou em dúvidas: falaria de autores de literatura ou de autores de um modo geral? Porque entre autores que “mudaram o mundo” poderíamos incluir desde a Declaração dos Direitos do Homem até os escritos científicos de Einstein. Folheei. Era apenas sobre literatura, e como o tema me interessava, comprei. R$ 36,00, Prestígio Editorial, de Christine N. Perkins, 226 páginas.
Mas até que ponto a literatura pode mudar o mundo? Vá lá que alguns livros podem mudar um pouquinho mundo, mas o título é altamente pretensioso, perdoado apenas se considerarmos isto como um chamativo de marketing. Contudo, um mérito do título é não dizer que são os únicos que mudaram a história da literatura, nem que são os 100 mais importantes. São 100 entre os importantes, apenas. Isto já absolve a autora de críticas como a ausência de nomes renomados como Baudelaire, Flaubert, Balzac, Sade, Kafka. São nomes altamente reconhecidos entre nós, mesmo que nunca tenhamos lido nada deles, ao passo que para boa parte de nós são desconhecidos nomes como Alice Walker, Joyce Carol Oates e Louisa May Alcott. Se nos lembrarmos que a autora é americana, fica mais fácil compreender tais escolhas. Reflito: talvez uma das poucas vantagens de ser subdesenvolvido seja receber várias influências, de acordo com o poder de cada época: já fomos obrigados a lermos portugueses, europeus de um modo geral, e agora americanos – ao passo que as potências têm uma tendência ao hermetismo. Divagações… Aliás, no livro há muitos autores brasileiros: Mário de Andrade, Guimarães Rosa, Clarice Lispector, Jorge Amado, Érico Veríssimo, Drummond, Graciliano Ramos, Machado de Assis. estranho. Não que não sejam importantes, mas duvído que o original contivesse tantos, creio mais em uma adaptação feita à edição brasileira.
Enfim, o que é o livro? Foram escolhidos 100 autores, entre clássicos, outros nem tanto, e mesmo alguns best-sellers atuais (como Stephen King, Anne Rice e Michael Crichton) e, para cada autor deste, são dedicadas 2 páginas com um pequeno resumo biográfico e a importância de suas obras.
O fim do século avivou a mania das listas dos “melhores de todos os tempos”. O filme “Alta Fidelidade” também ajudou, com a mania do protagonista de fazer, para tudo a lista dos “Top 5″. O renomado crítico americano Harold Bloom lançou, há alguns anos, “O cânone ocidental”, a sua lista com algumas dezenas de nomes fundamentais na literatura. A Folha de São Paulo fez algo mais democrático: solicitou a 10 pessoas (autores, críticos, etc.) que listassem os 10 romances mais importantes do século que acabou, e somou os votos, tendo produzido também seu ranking. Cada lista desta contém alguns nomes em comum mas muitos diferentes uma da outra.
Então, quais são os autores mais importantes do mundo, afinal? Depende da definição que adotarmos de “importância”. Seriam os mais vendidos de todos os tempos? Poderia ser, mas feitas algumas ressalvas: 1) alguns autores só são descobertos após sua morte, ou seja, muitos que hoje não são importantes poderão ser, no futuro; 2) muitos livros são vendidos não porque os leitores querem comprar, mas porque são obrigados (quem de nós nunca teve que comprar um livro de Machado de Assis na escola?); 3) a população que pode comprar um livro hoje, teoricamente é bem maior que há algumas décadas, e esta “inflação demog’rafica do mercado” teria que ser levada em conta. De qualquer forma, se fossemos apenas por esta categoria Paulo Coelho é um autor muito mais importante que Carlos Drummond de Andrade, por exemplo.
Ou importante seria um escritor que influenciou vários outros, mesmo que seja pouco lido e conhecido? Por este critério, creio que os mais importantes talvez fossem os autores da Bíblia. Sem dúvida, no Ocidente qualquer um de nós já teve um contato, e geralmente precoce, com suas histórias e com seu jeito de contar estas histórias.
Ou importante são os inovadores? James Joyce escreveu um livro em que apenas uma palavra às vezes reunia dezenas de idiomas (Finnegans Wake, cuja versão brasileira “Finnicius Revem” acaba de ganhar o Prêmio Jabuti 2004 de melhor tradução – aliás, não folheei o livro, mas tenho cá comigo uma dúvida: se o livro foi escrito em várias línguas, é um procedimento honesto traduzí-lo?). Mas é um livro praticamente ilegível à mais de 99% da população mundial, que mal conhece o próprio idioma, quanto mais algumas dezenas. Alguns dizem que não se precisa entender o significado das palavras, mas apenas captar a musicalidade delas. OK, mas quem fez isto, na prática?
O verdadeiro cânone, então, a verdadeira compilação dos livros mais importantes da literatura desde os seus primórdios, pode ser realizada de duas maneiras distintas: a particular e a universal. Ou seja, há uma lista que cada um possui de seus livros preferidos, e uma lista que pode ser formada através do somatório das opiniões gerais. Grande é a chance de divergência entre estas duas. Como disse a ensaísta Leyla Perrone-Moisés sobre o livro de Harold Bloom: “O livro dele não tem o direito de ser chamado de “O Cânone Ocidental”. Na verdade, é o cânone de Bloom.”.
A quem interessa, então, um livro como este? A muitos de nós, a quem quer saber a opinião de alguém que possivelmente leu ou pesquisou mais que nós sobre quem seriam os autores mais significativos.
As biografias são curtas, e fala-se pouco das obras. Tanto os grandes nomes quanto os menos conhecidos têm o mesmo espaço, o que não faz como que o iniciante distingua uma coisa da outra. O ideal seria que houvesse um trecho curto de cada obra clássica. O livro cresceria, talvez sendo necessário reduzir o número de escritores citados para se manter o preço de capa.
É um guia de leitura, um bom guia, um início. Como é bom qualquer lista dos melhores feita por qualquer um que conheça um pouco mais, ou algo diferente, que nós.
musica
Publicado por admin em Sem categoria às 10 de Fevereiro de 2004
O RISCO DE SE GOSTAR DE SANDY & JÚNIOR
(sobre: Carla Bruni)
Nada impede que Sandy & Júnior façam uma música boa. “Façam” talvez seja um exagero: cantem. E nada impede que você goste desta música. Mas daí a gostar deles como artistas seria demais: são apenas intérpretes esforçados.
Cássia Eller nao compunha nada. Mas era uma intérprete sensacional. Uma atriz da música.
Há quem componha bem e não cante nada. Etc etc.
Mesmo artistas considerados honestos fazem músicas desonestas. Música desonesta é aquela feita só para encher o álbum, porque convencionamos que um CD tem que ter us 60 minutos de música. O interessante é que, como gosto é gosto, muitas pessoas gostam das coisas desonestas, e só de ouvir na maioria das vezes é difícil distingüi o desonesto do honesto.
Escuto pela primeira vez em uma rádio, que não sei se tem procedência de “honesta” (eufemismo para “metida a besta”) ou não, uma música que me agrada. De uma cantora que nunca ouvi falar antes. Devo gostar dela ou não? Gostar é imediato, já gostei. Mas é brega gostar dela? Terei que esconder este fato dos meus amigos cultos?
Gostei de Carla Bruni. Voz suave e violão, cantando em francês. Mas será uma Sandy da vida, execrada pelos pensantes de seu país? Vou às pesquisas na internet. No Altavista, somente 22 citações em português.
Alguém escreveu em seu diário, deslumbrada: “A música é algo tipo Marisa Monte. Pode?”. Como se encontrar alguém que cante parecido com Marisa Monte fosse a coisa mais inesperada do mundo!
Em uma busca rápida encontro o seguinte: italiana, nascida em 23/12 (como eu! já simpatizei) de 1968. Mora na França desde seus 5 anos. Ex-modelo famosa, embora com curta carreira, que abandonou para dedicar-se à música, atualmente. Se CD, de 2002, “Quelqu`un m`a dit” foi bem recebido pelo público (no qual me incluo. Rapidamente, deixe-me competar com minhas impressões: suas letras têm poesia e bom-humor).
E leio que o disco foi bem recebido pela crítica também.
Ufa! Taí a informação que eu queria: foi bem recebido pela crítica.
Eu gosto de algumas músicas do Engenheiros do Hawai, mas ele foi tão esmagado pela crítica musical que quem lê este tipo de informações fica meio constrangido de gostar. Tem-se a sensação de ser um pouco burro, vulgar, quando se gosta de algo que alguém destrói. Quem me salvou foi o próprio Humberto Gessinger, quando em uma entrevista recente afirmou mais ou menos o seguinte: que não entendia porque o Engenheiros fez tanto sucesso, pois era pra ser uma banda mais ou menos. Ah, bom, agora sim. Eles não tem a pretensão de serem os mais. Nem eu sou fã incondicional. E o crítico que detona tudo que eles fazem está batendo em cachorro morto, pois eles mesmo não empinam o nariz. Pronto. Minha redenção.
Contudo, agora a bola da vez é o Charlie Brown Jr…
musica + politica
Publicado por admin em Sem categoria às 17 de Janeiro de 2004
OLHANDO SOBRE O MURO
(sobre: Le Mouv)
Às vezes pensamos que a tal história da “dominação cultural americana” é apenas conversa de “professor-de-geografia-de-geografia-petista”. Aqueles do primeiro grau, que nos ensinaram o que era capitalismo e comunismo, quando este último ainda teimava em existir.
- Dadinho o caralho, meu nome é Zé Pequeno!
- Globalização o caralho! “Cidade de Deus” foi indicado a 4 Oscars, e isto pode sim ser um indício de que o mundo está mais aberto à outras culturas que não à americana. (Embora existam pessoas que acreditam que tanta moral ao filme foi apenas um gesto de conciliação política com o Terceiro Mundo). Mas de um modo geral o império americano é onipresente. Quantos filmes viste ano passado que não eram americanos ou brasileiros?
Quem deseja conhecer produtos de qualidade de outro país não tem facilidades. Por exemplo, estudo francês, e quem disse que acho livros em francês para comprar? Na “mega-store” (e não “mega-loja”) do shopping, apenas uma prateleira de livros importados, e todos em… (inglês, claro). CD`s? Revistas? Filmes?
Existe todo um universo fora dos EUA, de alta qualidade e que não nos é acessível. Chegam-nos algumas coisas, e quem deseja mesmo tem que procurar bastante.
E a famosa revolução que a internet faria? Não fez. Faz para quem procura, mas não para quem não tem tempo, ou disposição para ficar vasculhando. (E dinheiro, claro, para pagar a conexão, os livros importados, etc.)
Você sabe o que é Bollywood? Hollywood produz 300 filmes por ano. Bollywood produz 900. Além de novelas, músicas. É a indústria cinematográfica da Índia. Já ouviu falar? Nem eu. O mais perto que você deve ter chegado é se assitiu “Moulin Rouge”, musical com a Nicole Kidman, que tem uma estética parecida com a “bollywoodiana”.
Por que ocorre o fenômeno? Várias razões. Não quero me delongar:
1) as indústrias americanas são as mais poderosas, financeiramente. Logo, podem distribuir mais eficientemente seus produtos e fazer um marketing enormemente mais agressivo.
2) estamos mais acostumados aos americanos que ao resto do mundo, e gostamos de várias coisas – pra que procurar o bom se já temos o bom?
3) Falar em “medo do novo” seria demais, talvez “preguiça do novo”. Coisas novas levam um tempo e certo trabalho para serem assimiladas, e como diria o verdadeiro herói brasileiro, Macunaíma, ou mesmo o verminado Jeca Tatu de Monteiro Lobat: “Ai, que preguiça…”.
Sem este papo de que os EUA sejam “malvados” ( o velho professor achava: “Olhem como em todos os filmes americanos aparece a bandeira dos EUA.”). Besteira, a maior parte dos produtores não querem “dominar culturalmente” o resto do mundo – quer apenas dinheiro. Normal, né?)
OK, papo chato que finalmente chega na parte boa: as dicas de coisas alienígenas interessantes. Uma rádio francesa, pública (ou seja, sem comerciais), que toca coisas boas em inglês (ufs!) e francês: “Le mouv”. Abaixe um pouco a página e clique em “s`inscrire”. Ao preencher o formulário, não esquecer de confirmar a seguinte caixinha: “J’accepte le réglement de la communauté du site lemouv’” (“Aceito o regulamento da comunidade do site lemouv”). É fácil e rápido.
Se quer mais mastigado ainda, baixe no Kazza as seguintes músicas (biscoitos finos):
- imperdíveis:
* artista: Tété; música: “A la faveur de l àutomne” (aqui, letra e tradução – minha, perdoem)
* Carla Bruni; “Quelqu’un m’a dit”
- e mais algumas outras:
* M.; “Qui de nous deux”
Mesmo que você não entenda completamente o significado, acho que compensa buscar as letras das músicas. Eu pego em ABC-tabs. Já vem com tablatura, se quiser arriscar tocar um violão e fazer um charme em um luau.
Ao passo que eu descubra mais coisas, deixo as dicas aqui (façam o mesmo!).




